sexta-feira, 3 de abril de 2026

Da Sombra de Peixes ao Fogo de Áries.

Recentemente sentimos como se estivéssemos no limiar, no mundo, no corpo e no campo. A última temporada de eclipses foi intensa, não porque algo não estava claro para nós, mas porque muito foi revelado ao mesmo tempo. A escalada que assistimos não só amplificou o que sabemos há muito tempo, mas percebemos que estamos vivendo um momento de profunda consequência global.

Mas nada disso é surpreendente. Há anos que acompanhamos isto. A corrupção, a manipulação, as distorções mais profundas dentro dos sistemas que têm governado o nosso mundo. Sabíamos que essas estruturas não evoluiriam. E que entrariam em colapso. O que estamos testemunhando é o necessário desvendamento do que não pode mais se manter.

Peixes criou a atmosfera para isso. Através do portal do eclipse, o campo foi saturado de emoção, contradição e narrativas concorrentes, dissolvendo a ilusão de que a verdade vem de fora de nós. Isto é Peixes trabalhando. Removendo pontos de referência falsos para que algo mais profundo possa surgir. No final do ciclo, a Lua Nova de Peixes em 18 de março (28 °Peixes) fechou o portal do eclipse. Este grau final marca a conclusão. A expiração de todo o ciclo, onde o passado começou a se dissolver e o campo pudesse se preparar para o que vem a seguir. E o que vem a seguir é a ignição.

Quando o Sol entrou em Áries em 20 de março passado, tudo recomeçou do zero. O Equinócio de Outono (hemisfério sul) marcou o equilíbrio do dia e da noite. Isso nos lembra de manter a luz e a escuridão equilibradas de forma consciente. Não se afastar do que está sendo revelado, não se deixar consumir, mas claramente escolher o que construiremos a seguir.

Este ano, o Equinócio tem um peso extraordinário. O Sol se moveu diretamente para a conjunção Saturno-Netuno a 0° Áries, uma configuração que não ocorre há muito tempo. Este é um verdadeiro limiar. Sem dúvida, um limiar de mudanças. Dizem, ser um reset, e que isso sinaliza o lançamento da chamada Nova Era.

Muitos acreditam ser o nascimento da Nova Terra, mas pode ser apenas a “preparação” para isso. Porém, será real, ou apenas um vislumbre do que querem que acreditemos como real para que possamos, como humanidade, criar isso? Afinal, somos os criadores da nossa realidade.

Este é o despertar para o qual estamos nos preparando. E mais do que isso, é o que viemos aqui experienciar. Não somos observadores deste momento, somos seus pioneiros. Saturno traz a estrutura. Netuno traz a visão. Juntos, eles trabalham para trazer as mudanças necessárias para a “Nova Terra” em formação ainda embrionária, enquanto dissolvem as ilusões que obscureceram a verdade.

O véu está afinando. O que foi escondido não pode mais permanecer assim. E isso muda tudo. Não somos mais espectadores. O antigo modelo de espera por direção acabou. O que está surgindo agora requer participação. Este é o ponto de ignição.

O eclosão de Áries acontece à medida que este Equinócio se abre, e o céu se enche de uma concentração extraordinária de fogo, com quase nove corpos planetários se movendo através de Áries nas próximas semanas. Esta é uma enorme energia para empunhar. Depois de meses de névoa pisciana, esta é uma clara mudança para o movimento, para ação. A mensagem é simples: É a hora de ativar!

Não é um momento de hesitação. É um momento para entrar em missão, para incorporar o propósito e avançar com o que viemos criar. Áries não espera pela certeza, se move quando o momento chega. Vejam o Fogo no cenário mundial e, também, dentro. Áries governa a iniciação, mas também a guerra, e com conflitos que se inflamam em várias regiões do mundo, a energia já está totalmente ativa no campo coletivo, como ignição num potencial de uma maior escalada.

Sentiremos isso pessoalmente também. A energia aumenta. Reações aceleram. O impulso de agir torna-se mais forte. A impaciência, a defesa e as decisões impulsivas podem surgir se essa energia não for direcionada conscientemente. O fogo deve ser canalizado, não reagido. Trata-se da necessidade de uma ação disciplinada.

Enquanto caminhamos para cruzar esse limiar, o convite é entrar plenamente nele. Essa faísca que se sente no coração, a atração para o que viemos criar, não é acidental. Foi escrito há muito tempo...

Para nascer algo novo é preciso coragem. O novo pede que movimento mesmo quando o caminho não é totalmente visível. A confiança no que está se levantando dentro de nós é necessária para um alinhamento com essa mudança. As energias do Equinócio é um chamado para começar.

Obs.: Escrevi este texto em 03 de março e não pude publicar por motivos pessoais.  

Desperte, acordar não é suficiente.

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Monica©

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Saindo do lugar-comum. Um experimento de percepção. *

Em novembro do ano passado fiz uma limpeza nos meus arquivos e encontrei este antigo texto, não sei o autor e já não me lembro quem enviou. Li com atenção, achei muito interessante. Guardei com outros rabiscos para possível publicação futura. Mas… Decidi testar. Foi uma experiência instigante, uma visão ampliada da experiência para além do “eu e outro”, “tempo e espaço”, “dentro e fora”.

Hoje decidi compartilhar o texto com vocês. Trata-se de um exercício, inspirado em alguns ensinamentos do Lama Padma Samten e por outros experimentos de percepção de Alan Watts, Ken Wilber, Otto Scharmer, Douglas Harding, Carlos Castañeda e Richard Linklater.

Deixe-me explicar: A partir de agora, você não mais estará lendo um texto, mas contemplando sua própria experiência pelos 5 sentidos e pela mente. O processo é bem simples e pé no chão, não tem nada a ver com estados alterados da consciência, mas em apenas observar o que já acontece naturalmente e recorrer à imaginação para abrir mais os olhos.

Talvez sua cabeça não exploda, mas é bem possível que após o último item o ambiente em que você está agora (seja ele qual for) se revele um vasto e assombroso espaço não definido, como um sonho sem vigília anterior ou um filme sem cinema. Não porque nossa experiência de mundo é uma ilusão ou porque vamos alucinar outra coisa, mas justamente porque vamos continuar vendo o que já estamos vendo, sem esforço, sem criar, sem alterar nada.

Com a dedicação de 10 minutos você conduzirá sua percepção seguindo os 22 itens abaixo como guia. Vamos, tente!

Olhando ao Redor:

  1. Imagine como seria sua vida se você tivesse outras visões de mundo, outros padrões de comportamento, energias de hábito, pensamentos, emoções, outro corpo, outra vida, enfim. Você poderia ter nascido como o seu amigo que trabalha ao lado ou, se estiver sozinho, como o desconhecido que está passando na sua rua agora. Nesse sentido, todos os outros seres são você mesmo em outros mundos.

  2. Agora olhe diretamente para outro ser. Se estiver sozinho, imagine eu mesmo escrevendo esse texto ou uma aranha no canto da parede. Perceba que esse outro ser está tendo uma experiência sensorial 100% completa ao redor assim como é a sua, mas a partir de outra perspectiva. Se existirem 790 pessoas no seu prédio, existem 790 prédios nesse exato momento, pois o prédio nada mais é do que a experiência que algum ser tem do prédio – fora disso, não dá nem mesmo para chamá-lo de prédio.

  3. Ao sustentar imaginar essas 790 perspectivas, atente para o fato que a sua é apenas uma. Ou seja, você viveu a vida toda apenas com uma perspectiva, como se o centro do universo inteiro fosse a sua cabeça. Não é fantástico? Dá até medo ou vontade de gargalhar. O mundo é um grande filme 3D: sempre parece que aquela abelha vem direto no nosso nariz, não no nariz dos outros.

  4. Sinta a textura do seu mouse. O que você pensa ser sua verdadeira textura é apenas o que você experimenta com a sua pele. Se você tivesse outro tipo de pele, você teria outra experiência da superfície das coisas.

  5. Bata com a mão na mesa. Depois use uma caneta para bater na mesa. E depois um papel. Qual é o verdadeiro som da mesa?

  6. Olhe para a sua realidade 100% abrangente como se fosse apenas um só tecido luminoso. Contemple como todas as características que parecem existir lá fora são inseparáveis de nossos sentidos. As coisas e seres são vazias de características intrínsecas. São livres. Nada tem um som definido, por depender de como se dá a experiência, de como surgimos juntos. Acreditar que alguém, um lugar ou uma situação é isso, ou aquilo, bem, isso é tão inteligente quanto dizer que um belo chocolate é horrível após encher nossa boca com leite condensado estragado, que alterou completamente nossas papilas gustativas.

  7. Olhe para a parede e atente para sua cor. Agora lembre que átomos não tem cor e que não há nenhuma informação definida de cor chegando pela luz, entrando nos olhos e sendo processada no cérebro. Se houvesse, uma abelha veria a mesma cor. Mas ela não vê e não temos a prepotência de achar que a abelha está processando errado, entendendo errado, alucinando. Se ela está alucinando, nós também estamos. Melhor então achar que são duas experiências de realidade em vez de achar que a realidade é de um jeito e a abelha está maluca.

  8. Do mesmo modo, contemple a experiência de uma pessoa com deficiência visual ou auditiva e veja como ela é uma experiência 100% completa. Nada falta ao “portador da deficiência”. A deficiência só existe quando comparamos as experiências de realidade. Nesse sentido, todos temos deficiência se comparado com um ser que tem 12 sentidos ou com um morcego que se relaciona com coisas inacessíveis aos humanos.

  9. Agora atente para a continuidade do mundo: não existe pausa nem intervalo, as experiências continuam surgindo como num filme sem frames. Mesmo quando vamos dormir, as experiências seguem em forma de sonho ou no vazio do sono sem sonhos. O mundo não cessa. Olhe para tudo agora e lembre de como as coisas estavam há 10 minutos. Onde está aquele presente agora? Se o passado é lembrado como um sonho ou um filme, isso significa que o presente já é esse sonho, com a diferença de estarmos vivendo-o agora, com essa experiência de realidade.

  10. Após dissolver a ilusão de solidez, veja que não existe “o mundo”, mas mundos experimentados como um sonho vivido em primeira pessoa por incontáveis seres.

Olhando para dentro:

  1. Foque nas sensações do seu corpo. O frio nos dedos, a língua tocando o céu da boca, o olho piscando, os pés no chão, alguma tensão nas costas, a bunda na cadeira. Se você consegue observar tudo isso, então você é outra coisa além dessas sensações.

  2. Atente para as emoções e pensamentos. Suas opiniões sobre esse post, suas ideias sobre a realidade, alguma ansiedade ou impaciência, impulsos, desejos, listas de afazeres, planejamentos, lembranças da noite passada… Você consegue testemunhar tudo isso, você é o espaço no qual todas as imagens surgem. Você é livre para direcionar tais pensamentos e emoções, para surfar no que surge ou deixar aquilo ficar até cair por conta própria.

  3. Note que você pode ouvir o que acontece atrás das paredes, em outras salas ou na rua, fora de seu alcance de visão. Onde está esse som? Lá fora ou aí dentro?

  4. Feche os olhos após ler esse item e observe como você continua experimentando objetos externos (a uma certa distância) mesmo quando olha para dentro. Ou seja, é impossível olhar para dentro. Olhando para o exterior ou para o interior, tudo é visto lá fora, externamente, mesmo imagens mentais e sensações corporais.

  5. Nesse sentido, todos os objetos surgem em um espaço que não tem dentro e não tem fora. Sons e pensamentos, objetos externos e objetos internos são da mesma natureza.

  6. Respire e repouse nessa abertura pela qual o mundo se desenrola. Há um grande espaço no qual você surge com as coisas. Você é um outro para si mesmo. Você pode ver a si mesmo como outra pessoa, assim como vê sua imagem no espelho e se esforça para lembrar que aquele é você.

  7. Enquanto olha para si mesmo como um outro, você nota que essa espacialidade é livre de todas as coisas com as quais você vai se identificar no minuto seguinte. E então você sorri para tudo o que você acha que você é, todas as identidades que surgiram em suas diversas relações, todos os seus dramas, emoções, achismos, filosofias, medos, orgulhos, vitórias, derrotas. Tudo dança nesse espaço.

Olhando para tudo:

  1. Olhe novamente para os outros seres ao seu redor (ou imagine-os). Veja como eles são idênticos a você. Como eles vivem em mundos de significação, tomam fatos como naturais, tem metas e desejos, prioridades, impulsos, certezas. Observe como cada um deles não é uma pessoa, mas uma bolha, um mundo inteiro.

  2. Observe como eles chegam para trabalhar sem perceber o assombro que é nascer e não saber da onde, morrer e não entender por quê. Contemple como eles rodopiam a partir de seus próprios referenciais, deixando comentários em blogs, fofocando, sorrindo, chorando, falando alto, se debatendo, reclamando, se empolgando, se frustrando.

  3. Sabendo que cada um está com seu próprio videogame, em um certo jogo, filme, mundo, imagine como seria divertido ir além do próprio jogo, filme, mundo e auxiliar as pessoas a fazer o mesmo. Pense em como é impossível acordar de um sonho sem cair em outro, então visualize como seria jogar um jogo sabendo que é jogo, atuar sabendo que é um filme, viver um sonho lúcido.

  4. Esconda o sorriso malicioso que surgiu agora e volte ao mundo com essa loucura como pano de fundo, lembrando que todos os outros também têm esse mesmo sorriso por trás de suas seriedades.

  5. De vez em quando, experimente não se restringir a se relacionar com as identidades dos outros dentro desses jogos. Pare de focar a tela e dê um toque no ombro do cara ao lado no sofá, pegue na perna de sua mulher e olhe diretamente nos olhos do jogador, do ator, do sonhador das pessoas.

É isso pessoal. Parte deste texto e, principalmente, as listas foram recebidas em 2016. Aproveitem sabendo que existem formas para ampliar nossa experiência nesta realidade. Espero que apreciem.

 

Desperte, acordar não é suficiente.

 

Monica©

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*Por favor, se você conhecer o autor deste guia, entre em contato para poder dar os créditos. Muito obrigada.  

domingo, 15 de fevereiro de 2026

A “coisa” não vai desacelerar

 

Que tal um chazinho… Estamos às vésperas de um Eclipse no dia 17 de fevereiro que será uma prévia do que, a partir de junho, vivenciaremos até o outono de 2028, com ênfase em mudanças – e ponto final. Uma transformação coletiva, de novidades, de oportunidade para crescimento pessoal, e de grandes eventos. Ainda influenciado pelo tema pisciano da intuição e pelo tema virginiano da organização de nossas vidas cotidianas, abrindo espaço para significados, aquilo que nos dão significado em duas áreas distintas. Essa influência também impacta o segundo e último eclipse desta temporada, nos dias 2 e 3 de março.

A grande conjunção Saturno-Netuno que nos permite criar mudanças em larga escala, parecendo mágica na realidade, atingirá seu ponto exato apenas 3 dias após o eclipse. No final do mês, Mercúrio entra em movimento retrógrado em Peixes, afetando a comunicação e a tecnologia, mas também nos ajudando a retomar e concluir o que começamos. Mercúrio está, intimamente, ligado aos eclipses agora, tornando este um evento particularmente poderoso.

Ainda estamos no começo de um ano importante e a coisa não vai desacelerar tão cedo. Então, temos o primeiro Eclipse solar do ano acontecendo em Aquário no dia 17 de fevereiro. Não é apenas um novo começo, é a prévia de um novo tema de eventos que estão interconectados e liderados historicamente, que ocorrem em torno de cada novo eclipse até meados de 2028.

A chave da mudança de paradigmas evolve trânsitos entre Plutão em Aquário e Urano em Gêmeos (exato em abril), e estes se unem a Saturno-Netuno em Áries no dia 17 de fevereiro. Isso revela que revoluções sociais e financeiras em curso, são apoiadas por mudanças de valores econômicos e por revoluções tecnológicas; um contexto em que será preciso irmos à luta, dando forma às nossas convicções. Isto é espaçado no tempo, já que até maio o contexto pouco se altera. O que ocorre é que tudo vai acontecendo em diferentes episódios, combinações que pontuam a narrativa.

Lembrando que enquanto Saturno nos incentiva a estabelecer limites, Netuno nos inspira a derrubar barreiras e buscar significados mais profundos, e pode ser difícil conciliar significados tão distintos, especialmente em Áries, signo com tendência mais impulsiva. Áries precisa de ação, mas também tem a inocência de uma criança e tende a não pensar muito nos próximos passos. Geralmente, isso funciona bem, mas é menos certo quando falamos de Netuno que lança um “glamour”, uma névoa de fantasia e idealismo que pode fazer tudo parecer uma coisa e não outra. E então há Saturno, o Senhor do Tempo, pronto para nos acordar se começarmos a nos perder. A Lua estará em Áries quando a conjunção exata ocorrer em 20 de fevereiro, o que ativará sua potência.

Então, encerrar ciclos, desapegar de padrões obsoletos, e organizar novas etapas de vida, é o tom, inclusive o político e social. Será que finalmente assistiremos o início da queda do sistema? Assistiremos à queda dos ilusionistas? O que vem à frente será entendido?

Desperte, acordar não é suficiente.

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