terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Saindo do lugar-comum. Um experimento de percepção. *

Em novembro do ano passado fiz uma limpeza nos meus arquivos e encontrei este antigo texto, não sei o autor e já não me lembro quem enviou. Li com atenção, achei muito interessante. Guardei com outros rabiscos para possível publicação futura. Mas… Decidi testar. Foi uma experiência instigante, uma visão ampliada da experiência para além do “eu e outro”, “tempo e espaço”, “dentro e fora”.

Hoje decidi compartilhar o texto com vocês. Trata-se de um exercício, inspirado em alguns ensinamentos do Lama Padma Samten e por outros experimentos de percepção de Alan Watts, Ken Wilber, Otto Scharmer, Douglas Harding, Carlos Castañeda e Richard Linklater.

Deixe-me explicar: A partir de agora, você não mais estará lendo um texto, mas contemplando sua própria experiência pelos 5 sentidos e pela mente. O processo é bem simples e pé no chão, não tem nada a ver com estados alterados da consciência, mas em apenas observar o que já acontece naturalmente e recorrer à imaginação para abrir mais os olhos.

Talvez sua cabeça não exploda, mas é bem possível que após o último item o ambiente em que você está agora (seja ele qual for) se revele um vasto e assombroso espaço não definido, como um sonho sem vigília anterior ou um filme sem cinema. Não porque nossa experiência de mundo é uma ilusão ou porque vamos alucinar outra coisa, mas justamente porque vamos continuar vendo o que já estamos vendo, sem esforço, sem criar, sem alterar nada.

Com a dedicação de 10 minutos você conduzirá sua percepção seguindo os 22 itens abaixo como guia. Vamos, tente!

Olhando ao Redor:

  1. Imagine como seria sua vida se você tivesse outras visões de mundo, outros padrões de comportamento, energias de hábito, pensamentos, emoções, outro corpo, outra vida, enfim. Você poderia ter nascido como o seu amigo que trabalha ao lado ou, se estiver sozinho, como o desconhecido que está passando na sua rua agora. Nesse sentido, todos os outros seres são você mesmo em outros mundos.

  2. Agora olhe diretamente para outro ser. Se estiver sozinho, imagine eu mesmo escrevendo esse texto ou uma aranha no canto da parede. Perceba que esse outro ser está tendo uma experiência sensorial 100% completa ao redor assim como é a sua, mas a partir de outra perspectiva. Se existirem 790 pessoas no seu prédio, existem 790 prédios nesse exato momento, pois o prédio nada mais é do que a experiência que algum ser tem do prédio – fora disso, não dá nem mesmo para chamá-lo de prédio.

  3. Ao sustentar imaginar essas 790 perspectivas, atente para o fato que a sua é apenas uma. Ou seja, você viveu a vida toda apenas com uma perspectiva, como se o centro do universo inteiro fosse a sua cabeça. Não é fantástico? Dá até medo ou vontade de gargalhar. O mundo é um grande filme 3D: sempre parece que aquela abelha vem direto no nosso nariz, não no nariz dos outros.

  4. Sinta a textura do seu mouse. O que você pensa ser sua verdadeira textura é apenas o que você experimenta com a sua pele. Se você tivesse outro tipo de pele, você teria outra experiência da superfície das coisas.

  5. Bata com a mão na mesa. Depois use uma caneta para bater na mesa. E depois um papel. Qual é o verdadeiro som da mesa?

  6. Olhe para a sua realidade 100% abrangente como se fosse apenas um só tecido luminoso. Contemple como todas as características que parecem existir lá fora são inseparáveis de nossos sentidos. As coisas e seres são vazias de características intrínsecas. São livres. Nada tem um som definido, por depender de como se dá a experiência, de como surgimos juntos. Acreditar que alguém, um lugar ou uma situação é isso, ou aquilo, bem, isso é tão inteligente quanto dizer que um belo chocolate é horrível após encher nossa boca com leite condensado estragado, que alterou completamente nossas papilas gustativas.

  7. Olhe para a parede e atente para sua cor. Agora lembre que átomos não tem cor e que não há nenhuma informação definida de cor chegando pela luz, entrando nos olhos e sendo processada no cérebro. Se houvesse, uma abelha veria a mesma cor. Mas ela não vê e não temos a prepotência de achar que a abelha está processando errado, entendendo errado, alucinando. Se ela está alucinando, nós também estamos. Melhor então achar que são duas experiências de realidade em vez de achar que a realidade é de um jeito e a abelha está maluca.

  8. Do mesmo modo, contemple a experiência de uma pessoa com deficiência visual ou auditiva e veja como ela é uma experiência 100% completa. Nada falta ao “portador da deficiência”. A deficiência só existe quando comparamos as experiências de realidade. Nesse sentido, todos temos deficiência se comparado com um ser que tem 12 sentidos ou com um morcego que se relaciona com coisas inacessíveis aos humanos.

  9. Agora atente para a continuidade do mundo: não existe pausa nem intervalo, as experiências continuam surgindo como num filme sem frames. Mesmo quando vamos dormir, as experiências seguem em forma de sonho ou no vazio do sono sem sonhos. O mundo não cessa. Olhe para tudo agora e lembre de como as coisas estavam há 10 minutos. Onde está aquele presente agora? Se o passado é lembrado como um sonho ou um filme, isso significa que o presente já é esse sonho, com a diferença de estarmos vivendo-o agora, com essa experiência de realidade.

  10. Após dissolver a ilusão de solidez, veja que não existe “o mundo”, mas mundos experimentados como um sonho vivido em primeira pessoa por incontáveis seres.

Olhando para dentro:

  1. Foque nas sensações do seu corpo. O frio nos dedos, a língua tocando o céu da boca, o olho piscando, os pés no chão, alguma tensão nas costas, a bunda na cadeira. Se você consegue observar tudo isso, então você é outra coisa além dessas sensações.

  2. Atente para as emoções e pensamentos. Suas opiniões sobre esse post, suas ideias sobre a realidade, alguma ansiedade ou impaciência, impulsos, desejos, listas de afazeres, planejamentos, lembranças da noite passada… Você consegue testemunhar tudo isso, você é o espaço no qual todas as imagens surgem. Você é livre para direcionar tais pensamentos e emoções, para surfar no que surge ou deixar aquilo ficar até cair por conta própria.

  3. Note que você pode ouvir o que acontece atrás das paredes, em outras salas ou na rua, fora de seu alcance de visão. Onde está esse som? Lá fora ou aí dentro?

  4. Feche os olhos após ler esse item e observe como você continua experimentando objetos externos (a uma certa distância) mesmo quando olha para dentro. Ou seja, é impossível olhar para dentro. Olhando para o exterior ou para o interior, tudo é visto lá fora, externamente, mesmo imagens mentais e sensações corporais.

  5. Nesse sentido, todos os objetos surgem em um espaço que não tem dentro e não tem fora. Sons e pensamentos, objetos externos e objetos internos são da mesma natureza.

  6. Respire e repouse nessa abertura pela qual o mundo se desenrola. Há um grande espaço no qual você surge com as coisas. Você é um outro para si mesmo. Você pode ver a si mesmo como outra pessoa, assim como vê sua imagem no espelho e se esforça para lembrar que aquele é você.

  7. Enquanto olha para si mesmo como um outro, você nota que essa espacialidade é livre de todas as coisas com as quais você vai se identificar no minuto seguinte. E então você sorri para tudo o que você acha que você é, todas as identidades que surgiram em suas diversas relações, todos os seus dramas, emoções, achismos, filosofias, medos, orgulhos, vitórias, derrotas. Tudo dança nesse espaço.

Olhando para tudo:

  1. Olhe novamente para os outros seres ao seu redor (ou imagine-os). Veja como eles são idênticos a você. Como eles vivem em mundos de significação, tomam fatos como naturais, tem metas e desejos, prioridades, impulsos, certezas. Observe como cada um deles não é uma pessoa, mas uma bolha, um mundo inteiro.

  2. Observe como eles chegam para trabalhar sem perceber o assombro que é nascer e não saber da onde, morrer e não entender por quê. Contemple como eles rodopiam a partir de seus próprios referenciais, deixando comentários em blogs, fofocando, sorrindo, chorando, falando alto, se debatendo, reclamando, se empolgando, se frustrando.

  3. Sabendo que cada um está com seu próprio videogame, em um certo jogo, filme, mundo, imagine como seria divertido ir além do próprio jogo, filme, mundo e auxiliar as pessoas a fazer o mesmo. Pense em como é impossível acordar de um sonho sem cair em outro, então visualize como seria jogar um jogo sabendo que é jogo, atuar sabendo que é um filme, viver um sonho lúcido.

  4. Esconda o sorriso malicioso que surgiu agora e volte ao mundo com essa loucura como pano de fundo, lembrando que todos os outros também têm esse mesmo sorriso por trás de suas seriedades.

  5. De vez em quando, experimente não se restringir a se relacionar com as identidades dos outros dentro desses jogos. Pare de focar a tela e dê um toque no ombro do cara ao lado no sofá, pegue na perna de sua mulher e olhe diretamente nos olhos do jogador, do ator, do sonhador das pessoas.

É isso pessoal. Parte deste texto e, principalmente, as listas foram recebidas em 2016. Aproveitem sabendo que existem formas para ampliar nossa experiência nesta realidade. Espero que apreciem.

 

Desperte, acordar não é suficiente.

 

Monica©

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*Por favor, se você conhecer o autor deste guia, entre em contato para poder dar os créditos. Muito obrigada.  

domingo, 15 de fevereiro de 2026

A “coisa” não vai desacelerar

 

Que tal um chazinho… Estamos às vésperas de um Eclipse no dia 17 de fevereiro que será uma prévia do que, a partir de junho, vivenciaremos até o outono de 2028, com ênfase em mudanças – e ponto final. Uma transformação coletiva, de novidades, de oportunidade para crescimento pessoal, e de grandes eventos. Ainda influenciado pelo tema pisciano da intuição e pelo tema virginiano da organização de nossas vidas cotidianas, abrindo espaço para significados, aquilo que nos dão significado em duas áreas distintas. Essa influência também impacta o segundo e último eclipse desta temporada, nos dias 2 e 3 de março.

A grande conjunção Saturno-Netuno que nos permite criar mudanças em larga escala, parecendo mágica na realidade, atingirá seu ponto exato apenas 3 dias após o eclipse. No final do mês, Mercúrio entra em movimento retrógrado em Peixes, afetando a comunicação e a tecnologia, mas também nos ajudando a retomar e concluir o que começamos. Mercúrio está, intimamente, ligado aos eclipses agora, tornando este um evento particularmente poderoso.

Ainda estamos no começo de um ano importante e a coisa não vai desacelerar tão cedo. Então, temos o primeiro Eclipse solar do ano acontecendo em Aquário no dia 17 de fevereiro. Não é apenas um novo começo, é a prévia de um novo tema de eventos que estão interconectados e liderados historicamente, que ocorrem em torno de cada novo eclipse até meados de 2028.

A chave da mudança de paradigmas evolve trânsitos entre Plutão em Aquário e Urano em Gêmeos (exato em abril), e estes se unem a Saturno-Netuno em Áries no dia 17 de fevereiro. Isso revela que revoluções sociais e financeiras em curso, são apoiadas por mudanças de valores econômicos e por revoluções tecnológicas; um contexto em que será preciso irmos à luta, dando forma às nossas convicções. Isto é espaçado no tempo, já que até maio o contexto pouco se altera. O que ocorre é que tudo vai acontecendo em diferentes episódios, combinações que pontuam a narrativa.

Lembrando que enquanto Saturno nos incentiva a estabelecer limites, Netuno nos inspira a derrubar barreiras e buscar significados mais profundos, e pode ser difícil conciliar significados tão distintos, especialmente em Áries, signo com tendência mais impulsiva. Áries precisa de ação, mas também tem a inocência de uma criança e tende a não pensar muito nos próximos passos. Geralmente, isso funciona bem, mas é menos certo quando falamos de Netuno que lança um “glamour”, uma névoa de fantasia e idealismo que pode fazer tudo parecer uma coisa e não outra. E então há Saturno, o Senhor do Tempo, pronto para nos acordar se começarmos a nos perder. A Lua estará em Áries quando a conjunção exata ocorrer em 20 de fevereiro, o que ativará sua potência.

Então, encerrar ciclos, desapegar de padrões obsoletos, e organizar novas etapas de vida, é o tom, inclusive o político e social. Será que finalmente assistiremos o início da queda do sistema? Assistiremos à queda dos ilusionistas? O que vem à frente será entendido?

Desperte, acordar não é suficiente.

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Monica©

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sentar Juntos e Conversar

 

Uma conjunção entre Mercúrio e Vênus hoje (dia 29jan) formam um nexo para uma conversa, encontrando as palavras para expressar afetos e apreciação. Eles estão transitando em Aquário, indicando uma conexão um pouco mais objetiva, honesta. É sobre você e os mais próximos - aqueles que se gostam de verdade. Ideias compartilhadas, respeito e prazer de estar na mesma vibe, na mesma onda mental.

Dane Rudyar em seu livro “Uma Mandala Astrológica” nos conta no 15.⁠º de Aquário: “Dois periquitos pousados numa cerca cantam alegremente”. Simbolicamente a ideia básica é sobre a benção trazida às realizações pessoais pela consciência espiritualmente plena de Alma. O símbolo mostra que estão juntos, lado a lado, conversando.

Aqui, há facilidade e um senso de escolha; estão juntos por que querem estar. Mas, sugere também, um estado de ser em que dois aspectos complementares da realidade se encontram unidos; essa união resulta em felicidade e graça. Ou seja, a consciência separativa do ego pode ser abençoada dessa maneira.

Essa ênfase é a cola que mantém relacionamentos juntos. Portanto, hoje, e nos próximos dois dias, é um momento maravilhoso para conversar sobre as coisas, para dizer o que se quer de forma gentil, justa e esclarecedora. Não é sobre romance, é sobre compreensão mútua. Uma partilha de valores, a escuta do outro. É o sentar juntos, confortavelmente, mesmo que não concorde em tudo. É a troca de ideias, o respeito à independência do outro; é desfrutar o prazer tranquilo de estar em companhia que se quer para aquele momento.

Desperta tu que dormes, acordar não é mais suficiente! 

 

=x=x=x=x=x=x=

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Desejo-lhe tudo de melhor;

Monica©
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